domingo, janeiro 29, 2006

Página pessoal faz sucesso na internet



MARIJÔ ZILVETI, da Folha de S.Paulo

Deixar sua marca pessoal, revelar ódios e mostrar suas vitórias ou simplesmente pôr um nome com foto e e-mail. Sete anos passados após o surgimento do primeiro serviço para pendurar páginas de graça, a internet continua fascinando milhões de internautas que encontraram na rede o meio mais democrático e barato para aparecer.

Hospedar páginas gratuitamente criou o conceito de comunidades virtuais e gerou negócios bilionários, como a venda do GeoCities ao Yahoo! e do Tripod ao Lycos.Esse conceito derrubou o mito de que era necessário dominar programas com comandos complicados para pendurar páginas com fotos, sons, textos e animações.

As comunidades virtuais popularizaram-se com a criação de recursos que levam o leigo pela mão e, em poucos passos, ele consegue aparecer para o mundo inteiro, sem a necessidade de pagar um tostão.É claro que, para ficar visível, é preciso trabalhar a imagem, ou seja, divulgar o site. Em seguida, vieram os programas de busca, que se encarregam de listar páginas e deixá-las acessíveis a quem digita o nome de um sujeito para ver se ele está presente na rede.Especialistas já se debruçaram em estudos para analisar o comportamento de quem quer mostrar sua cara ao mundo.

O psicanalista Orlando Hardt Jr. apresentou no ano passado, em mesa-redonda na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, o trabalho "O Olhar Psicanalítico Sobre a Glob@lização", em que discute os efeitos da globalização no homem."O indivíduo monta sua página como se fosse uma tentativa de mostrar que está presente, assim como os antigos vinham marcando suas propriedades e conquistas, como no caso da chegada à América", diz. Com a morte do sujeito como "eu" no pós-modernismo, afirma Hardt, "ficou difícil suportar o "eu". Então, ele tem de criar um depositário para esse "eu'", diz. São os dois minutos de glória, afirma o psicanalista.O sucesso dos portais que hospedam páginas pessoais pode ser medido em números.

Em 1999, a liderança estava nas mãos da GeoCities, que tinha 3,2 milhões de endereços registrados, contra 3 milhões da concorrente Tripod.O Brasil começou a oferecer timidamente espaço aos assinantes de acesso pago em 1997. "Não existia uma demanda na época porque o internauta que queria construir um site pessoal colocava-o facilmente lá fora", diz Caio Túlio Costa, diretor-geral do Universo Online.O passo-a-passo do UOL mostrou que o internauta quer ser levado pela mão. Hoje, 57% dos assinantes que fazem suas páginas usam o método fácil.

Na opinião de Sandra Pescis, diretora de portal do Terra, páginas gratuitas continuam sendo uma atração "porque a rede é um lugar único para colocar a família, a coleção, ou seja, um espaço público e gratuito". Segundo Pescis, esse serviço é onde realmente a internet tem características específicas. "Não há outra mídia para isso".